Salar de Uyuni: o roteiro que vale cada centavo
Se você está pensando em ir à Bolívia, esse post é sobre uma das experiências mais marcantes que já vivi viajando: o tour de 3 dias pelo Salar de Uyuni.
Como chegar
Saí em um voo de São Paulo a Santa Cruz de la Sierra com conexão de outro voo até Sucre. Recomendo passar pelo menos duas noites em Sucre antes de seguir — a cidade merece um post à parte (O que fazer em Sucre, na Bolívia).
De Sucre, peguei um ônibus noturno até Potosí, que faz parada na cidade de Uyuni de madrugada — chegamos por volta das 3h ou 4h da manhã, no frio cortante do altiplano.
Veja opções de hospedagem e preços em Sucre.
Dica: leve roupas para bastante frio nessa viagem! Segunda pele, blusa de fleece, corta-vento, cachecol, gorro, luvas, tudo para que você não passe frio.
A madrugada em Uyuni
Na praça principal, uma mulher que tem um local que oferece cafés da manhã recebe os turistas que descem dos ônibus de madrugada e leva todo mundo para o café dela — um lugar bem simples, subindo uma escada, mas muito acolhedor. Chá de coca quentinho, pãozinho com manteiga e queijo, e um banheiro rústico (em muitos lugares da América do Sul, a “descarga” é tambor azul cheio de água com um potinho para que você pegue água e jogue no vaso).
Lá conheci umas francesas que faziam o mesmo trajeto e, junto com minha amiga brasileira, vimos o nascer do sol de lá. As francesas tinham uma cerveja quente na bolsa e brindamos ao amanhecer (daquelas coisas que só acontecem em viagem).
Organizando o tour
Após amanhecer, fomos até as agências (tem várias na cidade, vale pesquisar referências antes). Compramos o tour de 2 noites pelo Salar de Uyuni, o final seria na fronteira com o Chile, para onde seguiríamos viagem para San Pedro de Atacama, mas se você quiser retornar para Uyuni é totalmente possível também, isso é combinado ao comprar o pacote na agência.
Para se preparar para o tour, é necessário comprar um galão de 5 litros de água por pessoa, e frutas e lanchinhos para comer entre as refeições, já que as refeições principais estão inclusas no tour.
O grupo saiu por volta das 10h30 num 4x4 — no nosso caso, 3 brasileiras, 3 holandeses e o motorista/guia, com tudo amarrado no teto do carro.
O roteiro
O primeiro ponto de parada é o Cemitério de trens, em seguida adentramos no deserto de sal, passando pela Plaza de las Banderas, um local repleto de bandeiras de todos os países e onde paramos para almoçar.
Nesse dia dormimos no hotel de sal, um hotel que tem as paredes, chão, e até as camas feitas de sal. Faz muito frio à noite mas o hotel oferece cobertas quentinhas.
No dia seguinte seguimos pelo deserto, passamos pela Isla Incahuasi, uma ilha cheia de cactus gigantes no meio do deserto e lagunas coloridas, vimos muitos flamingos e outros animais, como raposas e vizcachas.
Os almoços são preparados pelo próprio guia e os jantares são feitos nos locais de pernoite. O segundo local de pernoite não oferecia água quente para banho, então as opções eram ou se aventurar na água gelada no frio, ou tomar banho de lencinho umedecido mesmo (coisa que a maioria das pessoas faz, é só um dia!)
O por do sol do Salar de Uyuni foi um espetáculo à parte. Como não há nada no horizonte, nenhuma fonte de luz, é tudo aberto, é uma experiência única parar no meio do deserto para apreciar uns minutos do por do sol.
É possível também tirar fotos em perspectiva devido à imensidão da planície branca de sal e falta de referências visuais, como essa:
No final uma grande surpresa: uma piscina de águas termais de origem vulcânica. Do lado de fora, -10°C. Na água, 40°C. Entrar foi surreal.
Dica de época
Fui na temporada seca, então o deserto estava completamente branco e rachado (que é um espetáculo). Na época das chuvas (dezembro e janeiro), forma-se uma fina camada d'água que transforma o Salar num espelho gigante — paisagem icônica que você já deve ter visto em fotos. Os dois cenários são lindos, só decida o que você quer ver mais.

