Descendo de bicicleta a Estrada da Morte, em La Paz na Bolívia

Durante o meu mochilão de 21 noites pela Bolívia, Chile e Peru, cheguei em La Paz vindo de Cusco. A viagem foi longa, com troca de ônibus em Puno, mas correu tudo bem.

Depois de chegar ao hostel, fazer o check-in e me instalar, saí para caminhar pela região. Eu estava hospedada em uma área bem localizada e, logo na rua em frente, encontrei várias agências que ofereciam o famoso passeio de bicicleta pela Estrada da Morte.

Veja opções de hospedagem em La Paz, Bolívia.

Como eu tinha apenas o dia seguinte em La Paz, resolvi garantir a vaga ali mesmo.

Caso você tenha mais tempo para aproveitar La Paz e os arredores, veja outras opções de passeio e reserve com antecedência.

A agência oferecia diferentes categorias de bicicleta. Havia uma opção mais simples, uma intermediária e uma mais sofisticada. Acabei escolhendo a intermediária, que tinha componentes melhores e me pareceu oferecer um bom equilíbrio entre custo e qualidade.

O passeio também incluía todo o equipamento de proteção: joelheiras, cotoveleiras, um macacão de proteção e um capacete bem reforçado. Não era aquele capacete tradicional de ciclismo, mas um modelo semelhante aos de motocross, protegendo toda a cabeça e também o queixo.

No dia seguinte de manhã, nos encontramos no ponto combinado da agência e embarcamos em uma van muito organizada. As bicicletas foram transportadas no teto e todos os equipamentos seguiram junto com o grupo.

A van subiu até o ponto de início do percurso, em uma região de altitude elevada nos arredores de La Paz. Ao longo do dia, descemos aproximadamente 60 km no total, saindo de mais de 4.500 metros de altitude até cerca de 1.200 metros de altitude no final do percurso. A mudança de clima e de paisagem é impressionante.

No início, pedalamos por um trecho asfaltado cercado por montanhas. Aos poucos, a vegetação começou a ficar mais verde e exuberante.

Então chegamos ao trecho mais famoso: a Estrada da Morte.

Apesar da fama assustadora, hoje o passeio é bastante organizado e estruturado. O grupo era acompanhado por um guia na frente e outro atrás fazendo as fotos e vídeos, mantendo todos os ciclistas protegidos durante o percurso. A van também foi atrás acompanhando o grupo. Caso alguém quisesse, poderia terminar o percurso dentro da van.

Uma coisa que acho importante destacar é que este passeio não exige que a pessoa seja atleta, mas eu recomendo para quem se sente confortável e segura andando de bicicleta. É parecido com dirigir um carro: não basta saber o básico, é importante ter confiança para reagir naturalmente às situações do caminho.

A Estrada da Morte continua aberta para circulação de veículos e não possui guard-rails. Em alguns trechos há precipícios ao lado da pista, além de curvas fechadas, trechos de terra e até pequenas cachoeiras atravessando o caminho.

Por isso, apesar de ser uma experiência incrível, ela merece respeito.

Curiosamente, eu imaginava que passaria o percurso inteiro no final do grupo. Mas aconteceu exatamente o contrário: fiquei entre os primeiros ciclistas durante boa parte da descida.

As paisagens eram tão bonitas que parecia impossível decidir se eu prestava atenção na estrada ou no cenário ao redor. Montanhas cobertas de vegetação, paredões, cachoeiras e vales profundos transformaram aquele dia em uma das experiências mais marcantes de toda a viagem.

Felizmente, no dia em que fiz o passeio, o movimento de carros foi pequeno, o que deixou a descida ainda mais tranquila.

Ao final do percurso, chegamos a um restaurante onde o grupo se reuniu para almoçar. Depois de horas de adrenalina, nada melhor do que uma refeição caprichada e uma cerveja gelada para comemorar.

O clima era de missão cumprida. Todo mundo estava feliz, cansado e orgulhoso por ter completado um dos passeios mais famosos da Bolívia.

Entre as muitas experiências inesquecíveis daquele mochilão, a descida da Estrada da Morte certamente ocupa um lugar especial na memória. Foi um dia de aventura, paisagens incríveis e aquela sensação maravilhosa de superar um desafio que, no início, parecia muito maior do que realmente era.

Próximo
Próximo

Huacachina e Paracas: deserto, sandboard e vida selvagem no Pacífico