Roteiro de 21 noites pela Bolívia, Chile e Peru

Esse foi meu primeiro mochilão internacional e uma das viagens mais importantes da minha vida.

Eu tinha pouco dinheiro, um mês de férias e um sonho: explorar, conhecer a nossa amada América Latina, viver culturas diferentes, eu nunca tinha feito uma viagem desse tipo, ainda mais sozinha. Um amigo me emprestou a primeira mochila cargueira que me acompanhou, comprei uma bota de trilha e alguma roupa de frio que não tinha, tentei descobrir como me locomover entre países usando ônibus, hostels, tudo com muita empolgação e disposição.

Veja opções de mochila cargueira de diversos tamanhos.

Se hoje eu provavelmente escolheria mais conforto em alguns trechos, naquela época eu queria aproveitar cada dia disponível. Foi por isso que usei vários ônibus noturnos ao longo do caminho: economizava uma diária de hospedagem e ganhava um dia inteiro de viagem, mas sempre que disponível, escolhia a opção leito para dormir melhor, mais confortável.

O roteiro passou por três países: Bolívia, Chile e Peru, e incluiu alguns dos lugares mais impressionantes que já conheci, como o Salar de Uyuni, o Deserto do Atacama e Machu Picchu.

A escolha de começar e terminar a viagem em Santa Cruz de la Sierra também foi estratégica. Comprar a passagem aérea de ida e volta para a mesma cidade era muito mais barato do que fazer um trecho aberto retornando diretamente do Peru para o Brasil.

No total, foram 22 dias cruzando os Andes de ônibus, conhecendo viajantes do mundo inteiro e descobrindo que eu era muito mais corajosa do que imaginava.

Resumo do roteiro

  • Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

  • Sucre (Bolívia)

  • Salar de Uyuni (Bolívia)

  • San Pedro de Atacama (Chile)

  • Arequipa (Peru)

  • Huacachina e Paracas (Peru)

  • Cusco e Machu Picchu (Peru)

  • La Paz e Estrada da Morte (Bolívia)

  • Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)


Dia 1: Chegada à Bolívia

Saí do Brasil em um voo com destino a Santa Cruz de la Sierra e, no mesmo dia, peguei uma conexão para Sucre.

Uma das grandes surpresas da viagem começou logo ali: na fila para o voo de conexão para Sucre, ali conheci uma amiga que iria fazer parte do mesmo roteiro que eu. Acabamos viajando juntas durante vários dias e ela foi a melhor companhia que eu poderia ter imaginado, um desses presentes que a vida nos dá.

Chegamos em Sucre no final do dia, fiz o check-in no hostel (ela tinha reservado e eu não, no dela não tinha vaga mas por sorte encontrei vaga em um hostel bem pertinho) e aproveitei para descansar antes de começar a maratona de deslocamentos que viria pela frente.

Dia 2: Conhecendo Sucre e ônibus noturno para Uyuni

Passamos o dia explorando Sucre, considerada uma das cidades mais bonitas da Bolívia.

Como o ônibus sairia apenas à noite, deixamos as mochilas guardadas no hostel e aproveitamos para caminhar pelo centro histórico, observar a arquitetura colonial, conhecer o mercado municipal e ver o por do sol do Mirante de La Recoleta.

O que fazer em Sucre, na Bolívia.

No final da noite embarcamos em um ônibus rumo a Uyuni. A viagem passava pela região de Potosí e seria a primeira de várias noites dormindo na estrada para economizar tempo e dinheiro.

Dias 3 a 5: Salar de Uyuni

O Salar de Uyuni foi um dos pontos altos de toda a viagem.

Foram 3 dias cruzando paisagens de tirar o fôlego: o imenso deserto de sal, além de lagoas coloridas, formações rochosas e gêiseres que transformaram completamente minha ideia do que é a Bolívia.

Foram também duas noites dormindo em hospedagens simples no meio do Salar, uma experiência que faz parte da aventura.

Salar de Uyuni: o roteiro que vale cada centavo

Dias 5 a 8: San Pedro de Atacama

Ao final do tour atravessamos a fronteira entre Bolívia e Chile e chegamos a San Pedro de Atacama. Se você desejar retornar para Uyuni é plenamente possível, é só combinar isso na agência que vai te levar para o tour pelo Salar.

No nosso caso, a van que passou a fronteira nos deixou em San Pedro de Atacama, onde passamos os próximos dias explorando as paisagens do deserto, incluindo lagunas altiplânicas e formações geológicas impressionantes. O deserto do Atacama realmente mudou minha vida, tanto que retornei anos depois e morei e trabalhei no deserto durante quase 2 meses.

Deserto do Atacama: guia completo, como chegar, onde comer e dicas

Dia 9 – Travessia para o Peru

Deixamos San Pedro de Atacama e seguimos de ônibus até Arica. Em Arica pegamos um táxi para atravessar a fronteira terrestre para Tacna, já em território peruano.

Na rodoviária de Tacna, que fica logo na frente, pegamos outro ônibus até Arequipa.

Foi um daqueles dias quase inteiramente dedicados ao deslocamento, mas que fazem parte da experiência de um mochilão econômico.

Chegamos a Arequipa no final do dia e fomos direto para o hostel, que ficava bem perto da Plaza de Armas de Arequipa.

Dia 10 – Conhecendo Arequipa

Passamos o dia explorando Arequipa, uma das cidades mais bonitas do Peru.

A arquitetura construída com pedra vulcânica branca explica por que ela é conhecida como a Cidade Branca. Almoçamos mais uma vez no mercado municipal, exploramos a cidade.

Foi um dia mais tranquilo para recuperar as energias antes do passeio ao Cânion del Colca.

Dia 11 – Cânion del Colca

Saímos ainda de madrugada para o passeio ao Cânion del Colca. Além das paisagens impressionantes, uma das grandes atrações é observar os condores voando pelos paredões do cânion.

Ao final do dia retornamos para Arequipa e passamos mais uma noite na cidade.

Arequipa e Vale del Colca: uma das regiões mais bonitas do Peru.

Dia 12 – Huacachina

No dia seguinte embarcamos rumo a Ica, Peru. De lá seguimos para Huacachina, um pequeno oásis cercado por enormes dunas de areia.

A sensação de chegar naquele lugar depois de tantos dias cruzando montanhas e desertos é inesquecível.

O hotel onde nos hospedamos tinha uma piscina e aproveitamos o resto do dia tomando uma Cusqueña na piscina.

Veja onde se hospedar em Huacachina, Peru.

Dia 13 – Dunas, buggy e sandboard

Este foi um dos dias mais divertidos de toda a viagem.

Fiz o tradicional passeio de buggy pelas dunas do deserto (é muito mais radical do que parece!), e experimentei sandboard pela primeira vez.

Huacachina tem uma atmosfera completamente diferente dos outros destinos do roteiro e foi uma pausa muito bem-vinda antes de seguir viagem.

Reserve passeios na região de Huacachina, Peru.

Dia 14 – Paracas, Ilhas Ballestas e ônibus noturno para Cusco

Fomos em um tour para Paracas, incluindo um passeio de barco próximo às Ilhas Ballestas para ver o Candelabro de Paracas (aquele enigmático geoglifo que assim como as famosas linhas de Nazca, é um desenho enorme, ambos foram criados removendo a camada superficial do solo, expondo o solo mais claro por baixo, e suas funções exatas ainda são uma incógnita e objeto de diversas teorias de estudo representando um dos muitos mistérios arqueológicos do Peru), também vimos os animais e as paisagens naturais.

Ao final do passeio retornamos para Huacachina, pegamos nossa bagagem e embarcamos em mais um ônibus noturno, desta vez rumo a Cusco.

Dia 15 – Chegada a Cusco

Depois de muitas horas na estrada, finalmente chegamos a Cusco.

Após o check-in no hostel, nos instalamos e passamos o dia caminhando pelas rua, pelo centro histórico, e compramos os tours para os próximos dias, que eram no Vale Sagrado dos Incas e Machu Picchu (trajeto pela hidrelétrica, fazendo a trilha de 10 km a pé até Águas Calientes).

Reservei passeios na região de Cusco, Peru.

Dia 16 – Vale Sagrado dos Incas

Após o café da manhã, a van foi nos buscar e seguimos rumo a Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. Foi um dia muito legal, e também tem outras opções de lugares para conhecer no Vale Sagrado, mas não tivemos tempo.

Dia 17 – Rumo a Águas Calientes

Chegou o momento mais aguardado da viagem.

Saímos de Cusco em direção à Hidrelétrica, onde iríamos começar a trilha rumo a Águas Calientes, cidade base para visitar Machu Picchu. A van nos deixou lá, nos juntamos em um grupo de 8 pessoas e fomos caminhando ao lado do trilho do trem. Levamos cerca de 2h30 a 3h para chegar. Para falar a verdade foi bem divertido fazer esse trajeto, mas na próxima pretendo ir dentro do trem.

Após chegar em Aguas Calientes e encontrar nosso guia, fizemos check-in, jantamos e passamos a noite lá.

Dia 18 – Machu Picchu

Acordamos cedo para conhecer Machu Picchu. Compramos o ônibus que nos leva até a entrada, fomos para a fila bem cedo com alguns lanches que compramos ali mesmo.

Mesmo depois de tantas fotos e expectativas, a experiência superou tudo o que eu imaginava. Foi um daqueles lugares que realmente justificam a fama.

Após a visita, reencontramos nossos companheiros de trilha, descemos toda a escadaria que leva até o Machu Picchu (são muitos degraus!), pegamos a trilha de volta e retornamos até a hidrelétrica. Lá a van nos encontrou e retornamos para Cusco.

Machu Picchu: roteiro de 6 noites de Lima a Cusco e Águas Calientes.

Dia 19 – Viagem para La Paz

Chegando em Cusco, me despedi de minha amiga, que iria retornar para Lima, e à noite embarquei em um ônibus rumo à La Paz, Bolívia.

O trajeto incluía uma troca de ônibus em Puno e a travessia da região do Lago Titicaca. O Lago Titicaca é o lago navegável mais alto do mundo, a 3.812 metros de altitude e possui centenas de ilhas artificiais. Elas são conhecidas como Ilhas Flutuantes de Uros (são habitadas pelo povo indígena Uro). As ilhas são feitas de totoro, uma planta parecida com o junco, que flutua naturalmente, e ancoradas ao fundo do lago.

Dia 20 – La Paz

Cheguei a La Paz já no final do dia.

Tive apenas algumas horas para caminhar pela cidade, conhecer a região próxima ao hostel e contratar o passeio da descida de bicicleta na Estrada da Morte para o dia seguinte.

Hoje penso que teria ficado mais tempo por ali. Na época, porém, eu estava tentando encaixar o máximo possível dentro do orçamento e dos dias disponíveis.

Veja opções de hospedagem em La Paz, Bolívia.

Dia 21 – Descida na Estrada da Morte

A descida de bicicleta pela famosa Estrada da Morte foi um passeio que durou o dia todo.

Foi uma experiência maravilhosa, intensa e muito diferente de tudo o que eu tinha feito até então. Vou preparar um post para falar só sobre essa experiência.

Ao final do passeio, peguei minha mochila no hostel e embarquei em um ônibus noturno rumo a Santa Cruz de la Sierra.

Dia 22 – Volta para casa

Cheguei a Santa Cruz de la Sierra e embarquei em um voo de volta para o Brasil.

Voltei cansada, com centenas de fotos e histórias para contar. Mas principalmente com a sensação de que aquele mochilão tinha mudado a forma como eu enxergava o mundo e as minhas próprias capacidades.

Foi a viagem que me mostrou que eu era capaz de atravessar países inteiros carregando tudo o que precisava dentro de uma mochila.

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